Passados cinco
anos da morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, um dos
principais acusados de ser o mandante do crise, o fazendeiro
Regilvado Pereira do Galvão, conhecido como Taradão, ainda não foi
a julgamento. Para o procurador da República no Pará, Felício
Pontes, o desenrolar do caso mostra que o sistema judicial brasileiro
precisa passar por uma ampla reforma para se tornar mais célere e
eficiente.
Segundo Pontes, da forma como está, a Justiça no
país ?contribui? para a impunidade. ?A sensação é de que o
sistema judicial brasileiro precisa de uma reforma muito grande.
Ainda contribui muito para a impunidade no Brasil se ter um sistema
onde é muito fácil não ser preso, é muito fácil para quem é
preso depois sair da cadeia e acaba estimulando a impunidade como
está acontecendo no caso da irmã Dorothy?, afirmou à Agência
Brasil.
Na avaliação do procurador da República, o caso
Dorothy é um exemplo de como a lei no Brasil ?favorece? àqueles
que possuem poder econômico. Ele citou o caso dos outros envolvidos
no na morte da religiosa: Amair Feijoli da Cunha, intermediário do
crime, que cumpre pena de 18 anos e os pistoleiros Clodoaldo Carlos
Batista, o Eduardo e Rayfran das Neves, condenado a 18 anos e
17 anos de prisão, respectivamente.
Segundo Pontes, Amair,
Clodoaldo e Rayfran só estão presos porque não tinham dinheiro
para pagar bons advogados, ao contrário do Taradão e de Vitalmiro
Bastos de Moura, o Bida ? que chegou a ser condenado a 30 anos,
depois foi absolvido no segundo julgamento e estava em liberdade até
o último sábado (6).
?É um caso emblemático. Um sistema
que funciona para quem não tem advogado ou para quem está nas mãos
de defensores públicos. E um sistema que não funciona quando se tem
do outro lado pessoas que têm poder econômico e podem constituir
advogados?, disse.
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